Camiseta usa calor do corpo para gerar energia

Camiseta usa calor do corpo para gerar energia 16Dez
Inovação

Pesquisadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Málaga (UMA), em colaboração com o Instituto Italiano de Tecnologia de Gênova (IIT), projetaram uma camiseta que gera eletricidade a partir da diferença de temperatura entre o corpo humano e o ambiente ao redor. A tecnologia é de baixo custo e mais ecológica do que tecnologias similares.

A fórmula usa água, etanol, casca de tomate e nanopartículas de carbono. Tal mistura dá origem a uma substância que, quando aquecida, pode penetrar e aderir ao algodão -, que obtém assim propriedades elétricas a partir de materiais biodegradáveis. Em testes, o protótipo da camiseta batizada de “e-textile” foi capaz de acender uma luz LED.

“Quando alguém caminha ou corre, esquenta. Se essa pessoa usasse uma camiseta projetada com essas características, a diferença entre seu corpo e a temperatura mais baixa do ambiente poderia gerar eletricidade”, garante Susana Guzmán, membro do Departamento de Biologia Molecular e Bioquímica da UMA e uma das autoras do projeto.

De acordo com os pesquisadores, os materiais mais utilizados ​​para fabricar dispositivos termoelétricos são telúrio, chumbo e germânio. Eles, de fato, garantem o melhor desempenho termoelétrico, porém oferecem desvantagens em termos de disponibilidade, sustentabilidade, custo e complexidade de fabricação. Esta é a aposta ecológica, de baixo custo e escalável para os os têxteis termoelétricos flexíveis e “vestíveis”.

 

Fonte: Ciclo Vivo

“Até agora, os metais têm sido os elementos químicos comumente usados em dispositivos eletrônicos. Este projeto deu um passo à frente e conseguimos gerar eletricidade usando materiais leves, mais acessíveis e menos tóxicos”, explica José Alejandro Heredia, também cientista da UMA e um dos autores do projeto. Assim como Suzana, uma de suas principais linhas de pesquisa inclui a fabricação de dispositivos eletrônicos com materiais biodegradáveis.

Estudos e aplicações
O grupo de cientistas continua desenvolvendo dispositivos que podem ser incorporados ao material têxtil. Uma das ideias, por exemplo, é gerar luz para tornar a camiseta reflexiva ou até carregar um celular sem um carregador.

“Outras aplicações possíveis incluem biomedicina, graças ao monitoramento de sinais de cada usuário, ou robótica, porque o uso desses materiais mais leves e flexíveis permite a melhoria dos recursos do robô”, diz um comunicado da Universidade de Málaga.

“Em um estudo anterior, pudemos criar uma antena Wi-Fi a partir de casca de tomate e grafeno. Também estamos estudando a possibilidade de incorporar essa invenção à camiseta ‘e-textile’, o que nos permitiria ser como o super-herói Homem de Ferro, que veste um terno com todos os tipos de dispositivos tecnológicos e até voa”, brinca Susana.

A resistência do material quanto à lavagem ainda está em aprimoramento. Outro desafio está em armazenar a energia gerada. Apesar de não ser fácil, um cientista, em outro projeto, já conseguiu fazê-lo.

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