Rami sustentável e ecológico promete ser o tecido do futuro

Rami sustentável e ecológico promete ser o tecido do futuro 17Dez
Inovação

O rami é a fibra têxtil mais antiga da Ásia. Foi usado muito mais cedo que a seda. Devido ao seu longo comprimento, as fibras finas do rami têm brilho como as fibras de seda. É por isso que tem o apelido de “seda vegana” mas é mais barata. A planta de rami têm função anti-bacteriana e é perfeita para crescer em climas tropicais quentes e úmidos. É também oito vezes mais forte que o algodão, e com densidade e absorção comparáveis ​​ao linho. Pode ser colhida quatro vezes ao ano, o que classifica a planta como um recurso renovável rápido.

Rami é um membro da família das urtigas, que cresce mais adaptado aos climas tropicais, e não há necessidade de irrigação com água doce nem uso de pesticidas, uma vantagem comparado ao algodão. De qualquer forma, a planta também é capaz de suportar secas e pode atingir uma vida útil de 6 a 20 anos. A planta pode atingir 3 metros de altura e render 1,5 tonelada por hectare. A versatilidade da fibra de rami permite que ela seja transformada em fio fino para todas as peças de vestuário, desde vestidos e ternos a roupas esportivas e jeans.

Tecidos com 100% de fibras finas de rami são leves e sedosos. As fibras são desiguais, o que confere ao tecido de rami uma aparência semelhante à do linho. Para produzir tecidos com várias características aprimoradas, o rami é frequentemente misturado com outras fibras, como o algodão, viscose e lã. Ao fazer isso, a criação de tecidos dá às fibras de rami um potencial quase ilimitado.

O rami é mais frequentemente misturado (comum é 55% de rami e 45% de algodão) com outras fibras por sua resistência e absorção únicas, brilho e afinidade com corantes. Por exemplo:

• Misturado com algodão, resulta em maior brilho, resistência e cor.
• Misturado com lã, resulta em leveza e minimiza o encolhimento.

É uma fonte de fibra altamente sustentável, o que a torna uma maravilhosa alternativa ecológica às fibras sintéticas. A indústria de vestuário e têxtil reconhece o rami como um produto premium porque é uma das fibras naturais mais fortes. Sua força pode ser até 8 vezes mais forte que o algodão e fica mais forte quando está molhada. As fibras de rami provêm do caule de uma planta de urtiga chamada grama da China (Boehmeria nivea). Parece semelhante à urtiga europeia, mas não tem espinhos.

O rami é bem mais absorvente que o algodão, seu tecido respira bem e produz roupas confortáveis ​​de se usar em países tropicais. O rami, juta, malva, kenaf, cânhamo, urtiga e linho são todas fibras vegetais ou liberianas, pois suas fibras são provenientes dos caules de suas plantas.

Todas essas plantas com fibras que podem ser usadas em têxteis são anti-bacterianas, o que é diferente do algodão, uma vez que essas plantas crescem sem necessidade de produtos químicos e não empobrecem o solo. As fibras vegetais ou liberianas são menos utilizadas na indústria têxtil pois seu processo de produção é mais caro e complexo do que o algodão. Mas com o crescimento da moda ecológica e a necessidade de alternativas mais sustentáveis que as fibras sintéticas de petróleo, as fibras liberianas estão voltando a ser procuradas pelas marcas da moda.

Uma característica do rami é que, quando coletado, nenhuma parte da planta é desperdiçada ou perdida. A fibra têxtil é obtida da casca, seu interior de celulose é utilizado para a produção de papel, enquanto as folhas servem de alimento para o gado.

Benefícios da fibra de rami

• Capacidade natural de resistir a manchas,
• Aparência brilhante,
• Forte e durável,
• Cresce rápido utilizando água da chuva,
• Sem necessidade de pesticidas químicos,
• Naturalmente resistente a bactérias e fungos,
• Baixa elasticidade para não encolher facilmente,
• Suporta temperaturas mais altas de água,
• Mantém boa forma com os anos,
• Não encolhe quando lavado,
• Resistente a raios solares, podridão e insetos,
• Tinge com bastante facilidade,
• A fibra pode ser branqueada,
• Absorve o calor e libera umidade, tornando-o confortável de usar em climas quentes, • Seca rapidamente, • É brilhante, macia ao toque e mais resistente que o algodão ou lã.

Desvantagens da fibra de rami

• Enruga facilmente mas menos que o linho,
• Baixa resistência à abrasão,
• Rígido e quebradiço, a menos que misturado com outras fibras como algodão, viscose ou poliéster,
• Baixa elasticidade e resiliência,
• Preços mais altos devido ao aumento dos custos de produção

As operações de extração da fibra de rami são muito longas e complexas e isso aumenta os custos do tecido. O primeiro passo envolve a decorticação da planta que pode ser feita manualmente ou mecanicamente. Uma vez obtida a fibra bruta, é necessário fazer sua lavagem, secagem, degomagem e branqueamento. Estes dois últimos tratamentos envolvem o uso de reagentes químicos ou enzimáticos.

Uma das culturas de fibra mais antigas, que existe há pelo menos 6.000 anos, a China é líder global na produção de rami, e alguns outros países, incluindo Japão, Taiwan, India e Filipinas, também são produtores da planta. O Brasil já foi produtor de fibra de rami para têxtil mas infelizmente essa cultura desapareceu no país com o crescimento do fast fashion e uso de fibras sintéticas.

Uraí no Paraná já foi conhecida como a cidade do rami. O acelerado desenvolvimento do município foi devido a cultura do rami, que teve seu momento áureo entre as décadas de 1960 a 1980. Uraí tornou-se o maior produtor de rami do país, sendo denominado “Capital Mundial do Rami” e nesse período teve seu maior índice populacional contando com 24.600 habitantes. Contudo, na década de 1980, outras culturas ocupam os campos da região, reduzindo drasticamente essa produção acarretando um grande êxodo populacional e em 2010 a população estimada era de 11.472 habitantes.

A cidade, entre as décadas de 1960 e 1980, ostentava invejável prosperidade e organização. A “saga do rami” em Uraí está vinculada à intervenção de colonizadores de origem nipônica (saiba mais aqui). O comércio era forte, havia empregos e o dinheiro proveniente, direta ou indiretamente, da cultura do rami movimentava a cidade, conforme destaca o vídeo abaixo.

Nos anos 60/80 as máquinas desfibradoras ou descorticadoras, conhecidas como piriquitos, que separam as cascas das hastes, exigiam muito esforço físico e eram perigosas e ineficientes, causando graves acidentes de trabalho. Felizmente hoje, existem máquinas mais eficientes e seguras para fazer o processo, e com o crescente interesse da industria da moda em fibras naturais e sustentáveis, o rami poderia voltar a ser produzido no Brasil.

 

Fonte: Stylo Urbano

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